Feeds:
Posts
Comentários

Setembro foi um mês em que não andei por aqui. Não sei ao certo o porquê disso. É começo de outubro e tive algumas reflexões ponderadas nos últimos dias que julguei merecidas de serem compartilhadas por aqui. A maior parte delas até já se esvaiu… O que ficou foi o eterno questionamento: por que essas mensurações temporais, essas escalas que adotamos (calendários, datas etc.) ficam tão marcadas em passagens de nossas vidas?

Somos obrigados por todas as circunstâncias a conviver com isso – com o dito Calendário Gregoriano e com o fato de que estamos em 2009 e já é outubro em seu segundo dia. E é engraçado o fato de que outubro costumou ser, num passado não tão distante, um mês de relativa dor para mim, mas isso mudou. Já setembro foi, no ano passado, época dos últimos resquícios de momentos verdadeiramente felizes que vivi. O resto foi… bem, resto.

Seria inevitável lutar contra essa passagem do tempo? Não seria esse desnecessário – porém inevitável – resgate de lembranças passadas uma forma de resistir ao que nos é imposto pela vida? Seria a eterna memória do que já não é mais uma natação contra a corrente do fluxo unidirecional do nosso destino?

Acredite: essas são preocupações correntes nos meus pensamentos. Isso em meio a essas tais memórias que me fazem lembrar de dias, horas, minutos e segundos do que já considerei de tanta importância para a construção do que sou hoje – especialmente do meu conteúdo emocional.

Enquanto voltava para casa hoje, pensava nas últimas decepções, nos últimos buquês de rosas enviados com desastrosas consequências, nas últimas rejeições, nas últimas faltas de iniciativas, mas também nas vezes em que nada disso aconteceu e eu sorri sinceramente uma alegria desmedida. Cada uma dessas lembranças restou guardada como na memória de um computador. Com o tempo elas hão de ser apagadas, gradativamente. Ninguém é perfeito…

No entanto, até lá, todo dia é uma retrospectiva dos últimos tantos anos, e momentos com seus instantes que insisto em resistir nessa rotina diária de não saber o que pretender para o futuro. Hoje creio, ainda que por poucos segundos, que não saber o que se desejar para o futuro é uma forma de se evitar acreditar em destino. Ainda sinto que a pior dor é a do plano frustrado, aquele vivido intensamente no presente o que ainda haveria de ser experimentado no futuro. E quando esse futuro não chega, as únicas memórias que ficam foram as irreais.

Nessa história – parafraseando Platão -, as projeções no fundo da caverna não são oriundas das realidades intangíveis. De toda forma, se as verdades parecem ser inalcançáveis, por que se decepcionar com a irrealidade? E assim vou refletindo sobre o que não parece ser importante mas, na verdade, é a minha vida inteira.

Tenho emoções – é um fato; e meus sentimentos são pura dicotomia: meus melhores e piores atributos.

O verdadeiro exercício de paciência (e consequente masoquismo) é saber até onde deixar que os outros se aproveitem desses sentimentos, menosprezando-os, achincalhando-os ou simplesmente utilizando-se de um discurso dúbio para machucá-los quando esta, originariamente, não seria a intenção…

Na verdade, por mais que aconteça algumas vezes comigo, não acredito em quem age de uma forma mas diz não ter a intenção de assumir as consequências do ato praticado. Significa dizer que também não confio em mim algumas vezes. Não confio em quem age impulsivamente, domado exclusivamente pelas forças emocionais.

O maior legado da humanidade é a sua própria racionalidade. É preciso não deixá-la em segundo plano, por mais impossível que isso possa parecer. É preciso tornar-se uma pessao fria, calculista, objetiva. The truth shall set you free! As verdades são, portanto, absolutas. A relatividade é própria dos subjetivismos.

Como operacionalizar uma vida inteira cercada e dominada pelas emoções em detrimento das escolhas racionais postas? Basta querer, basta sofrer – em silêncio. Basta ser forte e aceitar, a longo prazo, o resultado dessas escolhas. É preciso abrir mão daquilo tudo que te faz mal – e que tu bem sabes que faz. É preciso se desapegar e se desacostumar. É preciso criar novos parâmetros, estabelecer novos referenciais. Uma mudança absolutamente radical!

No final das contas, basta ser quem você verdadeiramente é, ao melhor estilo do pensamento de Nietzsche – ou de Sócrates (como queira). Eu sou, portanto, uma pessoa emocional. Preciso apenas saber a hora certa de desistir…

Hoje é o dia da minha despedida. Na verdade não é só hoje, pois todo dia me despeço de alguma coisa, de alguém.

Hoje me despeço dos meus sonhos, das minhas fantasias e dos meus projetos. Despeço-me dos meus preconceitos e dos meus vícios.

Também é hora de se despedir da minha vontade política, da minha vontade de viver e de morrer. Hei de me despedir do que havia de melhor e de pior em mim. Despeço-me da minha mediocridade.

Despedida de mim, de você, você, você e você. De todos eles também. Dela. Delas. De todo mundo. De ninguém.

Hoje é dia da despedida de tudo o que me faz mal e de tudo o que me faz sorrir apaixonadamente. Dia da despedida do que me faz chorar e sofrer e crescer. E amadurecer. E também do que me joga no fundo do poço, mas também me ajuda a sair de lá.

Todo dia vou me despedir. Um dia será para sempre. Hoje também é. Porém, um dia, não irei mais me despedir. Nem serei despedido. Não haverá um velório, uma missa de sétimo dia, de corpo presente, ausente ou evidente. Nem celebrações. Nem lembranças, boas ou más.

Despeço-me do meu bom humor e do meu mal estar, da minha má vontade e das minhas ideias. Dos meu ideais.

Hoje me despeço de quem poderia ter sido, mas nunca fui. E nunca serei. E também me despeço do que sou e do que fui. E do que virei a ser. Todo dia é minha despedida!
Em todo o universo, planetas e estrelas maiores orbitam estrelas maiores. A Física clássica explica que existe a posição ideal para que a interação entre os corpos celestes permaneçam neste harmonioso movimento.

A chave central deste enigma é a gravidade (ou como assim conhecemos tal fenômeno).

Em princípio, descreveu-se a órbita dos corpos celestes como circulares, mas Kepler comprovou que eram elípticas: há momentos em que os corpos estão mais pertos; outras horas, mais afastados. Isso é periódico; um vai-e-vem eterno. Acima de tudo: isso é natural.

Em nossas vidas, é preciso também encontrar o momento perfeito, a harmonia das órbitas, suas proximidades e seus afastamentos. Escapando-se ao movimento orbital, desequilibra-se o sistema e não há mais vida.

Por outro lado, quando a força gravitacional se torna cada vez mais violenta, os corpos se chocam e os mais fortes consomem os mais fracos. É o fim!

É incrível como o universo inteiro, em todos os aspectos, é uma máquina perfeita! E acho que estou próximo de encontrar o movimento harmônico ideal…
Para você que entrou aqui esperando que neste domingo eu postasse algo, para que tivesses ódio (ou alegria), esperando ingratidão, lamúria ou até mesmo algumas grosserias, lamento desapontar mais uma vez…

Quando comecei a “blogar”, o conceito disso tudo estava bem relacionado ao esquema “diário aberto virtual”. Por muito tempo, levei isso bem a sério. Até hoje isso acontece, de forma bastante essencial.

No começo, quando era novidade – e quando tantas outras pessoas eram apenas letrinhas contra um fundo de tela de monitor e era tão encantador conhecê-las pelo que pensavam, e não apenas por uma mera aparência, superficialidades e tudo mais que o mundo real insiste em nos ressaltar -, o ritmo e a frequência de minha presença por aqui era bem maior. Houve conflitos – é óbvio. Este blog mudou de servidor, voltou à origem, os manuscritos passados se perderam, alguns outros ainda existem…

Acho surpreendente o fato de que algumas daquelas pessoas do já longínquo 2002 continuam presentes em minha vida. E de lá para cá, também me surpreendo com pessoas que depois conheci, por outros caminhos, e que diziam ter lido um ou outro pensamento público meu, ou muitos (ou todos).

Hoje ando me expressando bem menos. A inquietação da juventude dá lugar ao conformismo do envelhecer. Isso é inevitável porque tudo tem o seu devido lugar. O fato de que desapareço daqui, vez por outra, nunca é em vão e há sempre uma motivação – por mais nobre ou execrável que seja. Nada postei no mês de junho, e julho já se aproxima de seu fim.

Seriam quase dois meses de absoluta ausência. Diria que foi um tributo ao mesmo período há um ano. Naquela época imaginava que estaria em um futuro plenamente diferente! Porém, é uma burrice não acreditar que o futuro é imprevisível e sempre estará a nos surpreender, por bem ou por mal. E então eu sinto nojo deste espaço, mas nunca deixei de lhe dar a devida importância.

Assim como os devaneios – que vêm e passam – ainda me surpreendo com a intensidade dos sentimentos com que algumas pessoas chegam em minha vida e passam. Os rastros ficam, mas aos poucos desaparecem. Novas ventanias e tempestades fazem esse trabalho sujo – o tempo e seu velho clichê: o melhor remédio.

Tenho poucos medos na vida, mas esses poucos que tenho me imobilizam de uma forma cruel (ou crucial, pois não sei qual o melhor adjetivo que se encaixa neste contexto – o devir impede a conclusão). “Ainda serei capaz de me apaixonar?” Por algum tempo não quis pensar em respostas para tal pergunta. Nesse mesmo ínterim, forço-me a conviver com minha solidão (é um estado de espírito, definitivamente).

Tenho paixão por quase todos que ainda insistem em estar ao meu lado. Sei que muitos partirão. Não quero crer que algumas das relações que mantenho sejam superficiais ou tendenciosas. Este nunca foi meu espírito; nunca fui “interesseiro”. Temo ser uma pessoa diferente num futuro próximo, e temo mais ainda por que essa nova pessoa seja pior, ainda que apenas um pouquinho. Porém, isso é inevitável…

Nunca quis acreditar que houvesse algo como a Síndrome de Peter Pan (até Michael Jackosn morreu!), e tenho medo do futuro, sim. É inevitável, sim, pois tudo tem o seu devido lugar.
Sunday was a bright day yesterday
Dark cloud has come into the way

É assim que começa uma música do Moby que não sai da minha cabeça há dias! Engraçado que a música sugere ser a continuação de uma outra música do Moby que marcou demais a minha vida uns quatro anos antes: In This World – também conhecida como a música do clip dos ETs ignorados.

Sunday (The Day Before My Birthday) também possui um clip com os ETs. É bem verdade uma continuação do clip de In This World. Mostra um começo feliz – depois da frustração de não conseguirem se comunicar com os terráqueos -, o “auge da fama” – com todas as baladas e os aproveitadores de plantão -, a degradação e, por fim, um recomeço com a volta para seus próprios lares.

Paralelismos a parte, essa tem sido a história da minha vida no último ano. E agora que preciso encontrar o caminho de volta para o meu lar, para tentar um recomeço e a busca da paz espiritual que me impulsionará para desafios e a viviência de histórias ainda mais bonitas, não sei mais o que significa lar…


Homesick
‘Cause I no longer know
What home is…
Depois de tanta coisa, maio foi um mês incongruente, Bandini… Recebi elogios de clientes e de minha própria chefe – no escritório já não tão novo – e o trabalho vai se consolidando de forma estável, depois de um começo meio devagar, duvidoso e bastante deslocado.

Maio também foi o mês em que consegui ganhar mais de R$1.000,00 com discotecagens, mesmo sem me considerar – ou propriamente ser – um DJ profissional. E na área musical, também realizei parte de um sonho bastante antigo, aquele de comprar o baixo (falta aprender a tocar para completar tal sonho).

Há pouco mais de uma semana, e já vivendo com tanta saudade e angústia, achei que houvesse visto a luz no fim do túnel, justamente às vésperas de completar um ano em que surgiu na minha vida a pessoa que a mudou de forma mais considerável, por bem ou por mal. E hoje é 25 de maio, data desse aniversário…

Aqui estou eu, sentado em pleno fim de madrugada, início de manhã, após a frustração de não sair para a caminhada na praia em virtude da chuva, mesmo achando que pudesse arriscar, de ter me vestido e alongado. Porque há horas em que planejamos e vemos imagens mentais do objetivo próximo, quase tangível, quase se concretizando, mesmo em turbulência ou sob adversidades, acreditando ser de verdade que a esperança é a última que morre – e pode até ser, mas só morre quem é vivo.

Há quase quatro anos, depois de um fim de semana esquisitíssimo, entro num blog numa noite de domingo e vejo o anúncio de borboletas no estômago. A diferença é que, desta vez, um fim de semana foram quase cinco meses, e não houve prelúdio de que tudo poderia ser diferente…

Eu vejo sinais errados em lugares que sequer sinalizam!

E agora, Brasília: estás pronta para receber mais um vasto oceano de angústias, despreparo e frustrações?

[...]

…e um grande amigo cantou pelo Twitter esta semana,

If you ever feel neglected
If you think that all is lost
I’ll be counting up my demons, yeah
Hoping everything’s not lost

Um dos meus sonhos de há muito realizou-se ontem: comprei um baixo! Para complementar tal sonho, falta-me aprender a tocá-lo, óbvio, o que já está sendo providenciado.

Meu baixo (para iniciante): um Ibanez GSR-200

Apesar das aulas de piano que meu pai bem forçou para que eu tivesse aos seis anos – recordo-me de gostar bem mais das aulas de pintura, no Conservatório, enquanto esperava ele próprio ter suas aulas de piano – será a priemeira vez, por iniciativa própria, que aprenderei a tocar um instrumento musical digno.

Er, mentira: em 1992 comprei um trompete e comecei a aprender a tocá-lo, mas isso foi numa outra época, em outras circunstâncias e eu estava na Banda de Música do Colégio Militar… [O trompete ainda existe, mas a vontade de tocá-lo, nem tanto.]

O que importa é que, em não muito tempo, espero poder tocar coisas assim sem cometer muitos erros:

A contínua realização de sonhos materiais continua. Praticamente tudo-ao-mesmo-tempo-agora. Em outros tempos, disse que trocaria todas as felicidades materiais pela felicidade de espírito, aquela que desde os 17 anos, conversando com colegas na Faculdade de Direito, nos bancos da Salamanca, concluí que adviria de minha latente vontade de encontrar a mulher da minha vida, casar, ter filhos e ver a vida passar nesse cenário. Certamente não era o projeto de vida imediato de nenhuma outra pessoa ao meu redor àquela idade, o que sempre revelou (i) a minha precocidade feroz, e (ii) a minha [muito] tardia adolescência.

E agora, que os “sonhos” se realizam, com quem compartilhar? Ano passado tive certeza absoluta do que queria para a minha vida, mas o início de 2009 tratou de esfregar na minha cara que o que queremos nem sempre pode ser alcançado. E é nesse contexto que questiono o que seriam os sonhos: aquilo que é sonho, por definição, porque é intangível; ou aquilo que se pode conquistar e realizar, deixando, portanto, de ser sonho tão cedo se concretize?

Enquanto não defino uma resposta para isso em minha auto-ontologia, continuo vendo o tempo passar. E a música, que sempre esteve presente na minha vida, agora continuará ainda mais forte, alive and kicking!

Ontem foi o primeiro dia em que pude, finalmente, regularizar todos os débitos de minha vida financeira, com pagamentos em dia – quando não, bem antecipados – e a sensação é um pouco estranha. Ao final da tarde, fui até buscar minha nova carteira de advogado, com chip e tudo mais (funcionalidades conhecidas para o tal chip até o momento: zero), sinal de que até com o órgão de classe estou quite.

2008 foi um ano em que as contas também foram pagas, mas sem a certeza de onde viriam os fundos necessários para tal. O final do ano foi audacioso, pelos planos de mestrado que resultaram frustrados e que acabaram, não necessariamente por eles, frustrando também o meu namoro.

Posso dizer que os últimos seis meses – até o final de março, pelo menos – foram tempos difíceis, quando se levasse em consideração os aspectos profissional e financeiro, e o único conforto que tinha era o relacionamento, que talvez por todos os problemas extrínsecos a ele o tornassem conturbado e acabaram por o desgastar.

Gostaria demais que minha ex-namorada estivesse do meu lado nas piores horas e, por mais chato que eu estivesse, me consolasse e me ajudasse em todo esse processo. Não foi possível…

Hoje estou sem ela, sinto saudades todos os dias – todos mesmo! -, mas tudo mais na minha vida parece estar caminhando bem. É injusto demais não poder contar com uma “felicidade integral”: o que se tem de feliz por um lado é compensado, por assim dizer, em frustrações e tristezas por outro.

Não tenho a menor dúvida do que sacrificaria e de qual felicidade preferiria. Só não gostaria que os contextos tornassem uma ou outra aparentemente inconciliáveis.

[este é um breve devaneio que fala de felicidade e de seu paradoxo,
de saudades e do que realmente gostaria de ter em minha vida...]

Postagens Antigas »