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É a mesma música. A mesma que escuto desde 1987 e que, com o passar do tempo, com a compreensão do idioma, com o conhecimento musical e anos de experiências auditivas com tantos outros artistas e bandas, faz com que me emocione ainda mais e crie com ela um vínculo e um sentimento ainda maiores.

Talvez seja porque há tempos a música já me significava algo particular, mas naquele dia de julho de 2012 em São Paulo, olhando sozinho pela janela a chuva que caía na Vila Mariana, entendi que nada mais seria como antes e temi pelo que seria do futuro – um temor que jamais senti na vida, mesmo que esteja mais amadurecido após tantos baques e pancadas que o percurso pela minha vida trouxe.

Hoje a música tocou novamente. As lágrimas escorreram assim como naquele dia. Do mesmo jeito, com o mesmo sentimento, com as mesmas lembranças do que havia passado e não retornaria. Não era nostalgia, porque mesmo um ano após aquele momento e sabendo que as coisas não seriam como antes, as coisas não são como antes, mas o sentimento é o mesmo.
Um paradoxo: nada mais é como antes e continua tudo do mesmo jeito. Até quando?

Há tempos fones de ouvido integraram-se como parte de minha rotina, abolidos apenas nos momentos em que a música pudesse soar pelo ambiente sem incomodar os demais ao meu redor. Música, sim, é parte indissociável da minha vida, até mesmo por formação familiar.

Em minha temporada paulista, nos longos períodos efetuando trajetos pelo metrô ou sendo conduzido por ônibus, sucumbi à “moda” de, deles, não me separar. Um dia, na FNAC, comprei um par de fones intra-auriculares (desejava-os). Eram mais simpes, um som sem maiores qualidades, mas não desagradável. Era da Panasonic. O modelo intra-auricular me agrada mais para uso em público, não fere meus ouvidos e não toma muito espaço quando guardados. E com eles usava meu iPod Shuffle ou o iPhone, ouvia rádio quando ia ao estádio, sempre me acompanhavam nas minhas jornadas.

Voltando a São Paulo no último fim de semana, lá estavam os fones comigo, levados para uma caminhada a ser feita mais tarde no Parque do Ibirapuera na manhã de sábado. Fomos meu amigo e eu antes à padaria tomar café, depois cortar o cabelo no salão do Sêo Chiquinho, passamos num caixa eletrônico, fiz uma aposta na lotérica e… CADÊ OS MEUS FONES!??

Voltei à lotérica, ao salão e nada. Sumiram. Eu os perdi, os deixei desavisadamente em algum lugar. Refiz meus passos procurando onde poderiam ter ficado, mas não mais os encontrei. Foram-se e me deixaram triste, sem poder ouvir músicas, distair-me ao passar do tempo.

Durante a caminhada no Ibirapuera, no entanto, aproveitei para trocar muitas ideias e debater questões interessantes da vida política nacional e da economia internacional. Acabou sendo bem mais proveitoso e feliz assim.

No mesmo dia, após um agradável almoço no Consulado Mineiro, passei por uma loja na Teodoro Sampaio, adentrei-a e procurei por outros fones – já que precisava repor aquela perda (e o quanto antes, melhor). Eis que o vendedor me entrega um modelo semelhante, mas da JBL. De cara, sabia que a qualidade do áudio destes fones seria muito melhor! O preço não era tão distante daquele pago pelos fones da Panasonic alguns meses antes. Fiquei feliz, mesmo antes de poder usá-los.

Não os pude testar de imediato. Todavia, ao chegar em casa bem mais tarde depois de uma das noites mais tristes da minha vida, meu amigo os havia deixado sobre minha cama e pude, enfim, testá-los. Surpreendi-me positivamente com a espetacular qualidade do áudio! Que peça o destino me havia pregado.

Hoje os fones da JBL são os meus novos companheiros nas caminhadas matutinas, nas necessidades do cotidiano e nas situações convenientes. São muito melhores do que os que havia perdido. Há males que, definitivamente vêm mesmo para o bem.

Assim é a vida. Se paramos para lamentar os acontecimentos nefastos que nos abalam sem tomar ações concretas para corrigir o que houve de errado, tempo é perdido. Tempo irrecuperável. Existe luto para as situações oportunas, mas não deve existir luto eterno. E quando é possível corrigir as ações do passado, trocando erros por aprendizado, o resultado pode ser surpreendente! É de se lamentar apenas quando não nos é permitida a oportunidade de corrigir os erros, de tentar novamente, de aprender e realizar. Nem sempre a vida é justa – e até nessas ocasiões há uma lição a aprender: não se arrependa de ter aproveitado as oportunidades surgidas.

A happy message

Feliz 2010 para nós!

Setembro foi um mês em que não andei por aqui. Não sei ao certo o porquê disso. É começo de outubro e tive algumas reflexões ponderadas nos últimos dias que julguei merecidas de serem compartilhadas por aqui. A maior parte delas até já se esvaiu… O que ficou foi o eterno questionamento: por que essas mensurações temporais, essas escalas que adotamos (calendários, datas etc.) ficam tão marcadas em passagens de nossas vidas?

Somos obrigados por todas as circunstâncias a conviver com isso – com o dito Calendário Gregoriano e com o fato de que estamos em 2009 e já é outubro em seu segundo dia. E é engraçado o fato de que outubro costumou ser, num passado não tão distante, um mês de relativa dor para mim, mas isso mudou. Já setembro foi, no ano passado, época dos últimos resquícios de momentos verdadeiramente felizes que vivi. O resto foi… bem, resto.

Seria inevitável lutar contra essa passagem do tempo? Não seria esse desnecessário – porém inevitável – resgate de lembranças passadas uma forma de resistir ao que nos é imposto pela vida? Seria a eterna memória do que já não é mais uma natação contra a corrente do fluxo unidirecional do nosso destino?

Acredite: essas são preocupações correntes nos meus pensamentos. Isso em meio a essas tais memórias que me fazem lembrar de dias, horas, minutos e segundos do que já considerei de tanta importância para a construção do que sou hoje – especialmente do meu conteúdo emocional.

Enquanto voltava para casa hoje, pensava nas últimas decepções, nos últimos buquês de rosas enviados com desastrosas consequências, nas últimas rejeições, nas últimas faltas de iniciativas, mas também nas vezes em que nada disso aconteceu e eu sorri sinceramente uma alegria desmedida. Cada uma dessas lembranças restou guardada como na memória de um computador. Com o tempo elas hão de ser apagadas, gradativamente. Ninguém é perfeito…

No entanto, até lá, todo dia é uma retrospectiva dos últimos tantos anos, e momentos com seus instantes que insisto em resistir nessa rotina diária de não saber o que pretender para o futuro. Hoje creio, ainda que por poucos segundos, que não saber o que se desejar para o futuro é uma forma de se evitar acreditar em destino. Ainda sinto que a pior dor é a do plano frustrado, aquele vivido intensamente no presente o que ainda haveria de ser experimentado no futuro. E quando esse futuro não chega, as únicas memórias que ficam foram as irreais.

Nessa história – parafraseando Platão -, as projeções no fundo da caverna não são oriundas das realidades intangíveis. De toda forma, se as verdades parecem ser inalcançáveis, por que se decepcionar com a irrealidade? E assim vou refletindo sobre o que não parece ser importante mas, na verdade, é a minha vida inteira.

Tenho emoções – é um fato; e meus sentimentos são pura dicotomia: meus melhores e piores atributos.

O verdadeiro exercício de paciência (e consequente masoquismo) é saber até onde deixar que os outros se aproveitem desses sentimentos, menosprezando-os, achincalhando-os ou simplesmente utilizando-se de um discurso dúbio para machucá-los quando esta, originariamente, não seria a intenção…

Na verdade, por mais que aconteça algumas vezes comigo, não acredito em quem age de uma forma mas diz não ter a intenção de assumir as consequências do ato praticado. Significa dizer que também não confio em mim algumas vezes. Não confio em quem age impulsivamente, domado exclusivamente pelas forças emocionais.

O maior legado da humanidade é a sua própria racionalidade. É preciso não deixá-la em segundo plano, por mais impossível que isso possa parecer. É preciso tornar-se uma pessoa fria, calculista, objetiva. The truth shall set you free! As verdades são, portanto, absolutas. A relatividade é própria dos subjetivismos.

Como operacionalizar uma vida inteira cercada e dominada pelas emoções em detrimento das escolhas racionais postas? Basta querer, basta sofrer – em silêncio. Basta ser forte e aceitar, a longo prazo, o resultado dessas escolhas. É preciso abrir mão daquilo tudo que te faz mal – e que tu bem sabes que faz. É preciso se desapegar e se desacostumar. É preciso criar novos parâmetros, estabelecer novos referenciais. Uma mudança absolutamente radical!

No final das contas, basta ser quem você verdadeiramente é, ao melhor estilo do pensamento de Nietzsche – ou de Sócrates (como queira). Eu sou, portanto, uma pessoa emocional. Preciso apenas saber a hora certa de desistir…

Hoje é o dia da minha despedida. Na verdade não é só hoje, pois todo dia me despeço de alguma coisa, de alguém.

Hoje me despeço dos meus sonhos, das minhas fantasias e dos meus projetos. Despeço-me dos meus preconceitos e dos meus vícios.

Também é hora de se despedir da minha vontade política, da minha vontade de viver e de morrer. Hei de me despedir do que havia de melhor e de pior em mim. Despeço-me da minha mediocridade.

Despedida de mim, de você, você, você e você. De todos eles também. Dela. Delas. De todo mundo. De ninguém.

Hoje é dia da despedida de tudo o que me faz mal e de tudo o que me faz sorrir apaixonadamente. Dia da despedida do que me faz chorar e sofrer e crescer. E amadurecer. E também do que me joga no fundo do poço, mas também me ajuda a sair de lá.

Todo dia vou me despedir. Um dia será para sempre. Hoje também é. Porém, um dia, não irei mais me despedir. Nem serei despedido. Não haverá um velório, uma missa de sétimo dia, de corpo presente, ausente ou evidente. Nem celebrações. Nem lembranças, boas ou más.

Despeço-me do meu bom humor e do meu mal estar, da minha má vontade e das minhas ideias. Dos meu ideais.

Hoje me despeço de quem poderia ter sido, mas nunca fui. E nunca serei. E também me despeço do que sou e do que fui. E do que virei a ser. Todo dia é minha despedida!